Ontem Nunca Mais

Ontem Nunca Mais

Frágil como o cristal

Agarro-me a taça de vinho tinto

Imagino outra realidade

Fujo do abismo iminente

Fosse eu o lobo, uivaria meu desespero

A matilha humana nunca se “odiou” tanto

Não respeito comandos trocados

Queria hoje uma ordem sã

Sem subterfúgios retóricos

Sem falar “merda”

Queria, mas não teria

 

Governantes são covardes

(FDR e Churchill à parte)

Acostumados a feitos econômicos

Não sabem como encarar a morte

Pensam: “A vida do outro é a minha morte”

Quanta torpeza premeditada

Quanta gente enlatada em caixões

Quanta família sem poder velar

Quando a atitude é rasa, a cova também é

Falsos dilemas entre saúde e economia, entre o branco e o preto

Racismo puro e marketing epidemiológico em curso

Shakespeare trágico de quinta categoria

Propaganda barata de gente rica

Os poderosos do mundo de antes não querem de outro jeito

Sabem apenas acumular riqueza nos relógios de pulso

Grandes mestres em distribuir pobreza e negá-la no segundo seguinte

Com ares de falsa nobreza no crime de lesa humanidade

Nos seus carros potentes, nos seus ternos de grife

Nos seus topetes falsos, nas suas mulheres “alugadas”

 

Que se preparem os senhores da ganância

O vírus no corpo e o grito na alma decretarão o fim

Da possibilidade do orgasmo azul a preços módicos

Empanturrados de ouro irão morrer

Senão fisicamente, comercialmente destituídos

Seremos menos financeiros, seremos guerreiros de nossa própria arte

A garantir que o planeta de ontem permanecerá ontem

Amanhã…

 

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