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“Outro Andrade” Jornalismo
Na linha que move o site “Outro Andrade” a promover a arte nas suas múltiplas manifestações (cinema, teatro, literatura, poesia e música), bem como a arte de dizer as novidades, outra se impõe: a do jornalismo!
Flertei com o ofício, mas nunca concretizei o namoro. Chegou a hora: passarei a publicar editoriais sobre os temas mais momentosos de nossos dias, com pitadas históricas. Serão textos críticos e suaves, posto que a existência não é um exercício monocromático.
Aí vai o primeiro editorial em homenagem a grandes heróis de nossas vidas, os cães!
“LITERATURA INFANTIL” – CÃES COMBATEM, CONSOLAM E CURAM
Cães são bichos maravilhosos. Chegam a parecer humanos em alguns momentos (muitas vezes por influência dos próprios humanos). Encantam exatamente por sua natureza animal e doce ao mesmo tempo.
O que dizer desses seres capazes de resgates milagrosos nos escombros de um terremoto, de olhares amorosos incondicionais e de companhia e guarda de crianças com câncer e deficientes visuais?
Não é preciso dizer nada. Basta devolver um petisco alimentar ou um afago longo. Eles abanarão o rabo e darão alguns latidos de alegria.
O que dizer, então, dessa matilha (um dia já foram lobos) em tempos de pandemia?
Eles salvam nossos dias de medo, de ansiedade e de tédio.
Aposto que praticamente todos nós já tivemos ou teremos um amigo de quatro patas.
Na infância, meus cães foram “emprestados” de meus avós que viviam na cidade de Presidente Prudente, no interior de São Paulo. Eram “paulistinhas” chamados Bob e Pinga e alegravam a vizinhança com suas visitas frequentes à nossa revelia. Bichos soltos, como se dizia. Fiquei “sem cão” quase três décadas até que Bruna, minha filha, nasceu e decidimos acrescentar um cachorro à família.
“Açuquinha”, uma “dashound” batizada por ela nos brindou por vários anos com sua carinha “sapeca”. Além de sua vocação para mastigar chinelos e madeira.
Bruna foi morar com a mãe após o divórcio e teve dois cães: o pequinês Mateo e o buldogue francês Donatello. O primeiro permaneceu por pouco tempo, enquanto Donatello se tornou o cão mais amado do planeta. Os dois vivem felizes em Milão, na Itália.
Porém, nunca existiu cadela tão bela como Sofia. Meio boxer meio vira-lata, foi adotada por mim e por Bruna que escolheu o nome a caminho de casa. Foi minha companheira inseparável pós-separação. Na época, passava por um episódio de depressão e ela funcionou como uma espécie de antena parabólica a captar toda energia ruim antes que pudesse me alcançar.
Sofremos muito quando ela partiu. Bruna tinha a mania de pegá-la no colo (Sofia não era lá uma pluma) e falar: “Meu bebê pulguento.” A meu favor, digo que a cadela era muito bem tratada e seu pelo brilhava.
O que dizer, finalmente, de nossas vidas, na paz ou na crise, sem esses bichinhos fiéis?
Cães merecem o paraíso na Terra…